image
QUINTA-FEIRA
23 SETEMBRO 2004

Pedro Tochas
Palhaço, malabarista, “stand-up comediant”, contador de histórias, …
Pedro Tochas: “Este é mesmo o espectáculo que mais gosto de fazer…”

Pedro Tochas regressa hoje ao
Porto para apresentar “Work in
Progress – Ensaio Geral” – até dia 26

SUSANA RIBEIRO
O sucesso que Pedro Tochas conseguiu é reflectido na bilheteira do Teatro do Campo Alegre, onde a partir de hoje e até domingo vai estar em palco. Espectáculos totalmente esgotados (atenção: há quem cancele as reservas) que mostram a fidelidade do público. Por muitos continua a ser conhecido pelos anúncios na televisão, outros não passam sem ver o mais recente espectáculo: “Work in Progress – Ensaio Geral”, que estreia hoje no Porto. Tochas avisa “aquilo pode descambar…”. O espectáculo começa às 22 horas.

– Em Janeiro deste ano apresentou “Work in Progress”, o que é que “Ensaio geral” traz de novo?
– Os espectáculos que apresentei no Porto – o “Work in Progress” em Janeiro – foram os primeiros. Este “Ensaio Geral” traz mais histórias e o espectáculo está com muito mais ritmo.Espero eu… (risos). Tem uma série de histórias novas. Os espectadores continuam a ter o importante papel da interacção. Este é mesmo o espectáculo que gosto mais de fazer… Tem um lado mais íntimo.

– As histórias que conta são verdadeiras?
– Sim. Quer dizer… elas de facto aconteceram-me, mas eu acrescento sempre mais um bocadinho, para tornar mais cómica. Mas não deixaram de acontecer. Apanho sempre a parte divertida de todas as histórias.

– Os truques de malabarismo estão agora mais aperfeiçoados do que no espectáculo de Janeiro?
– Espero que sim. Mas a qualquer momento aquilo pode descambar…

– O próprio termo “Work in Progress” está em permanente mutação…
– O objectivo do primeiro espectáculo era ser uma espécie de degrau para o próximo. Mas acho que vai ficar sempre assim. (risos) Gosto do conceito tal como é e do espectáculo tal como está. Gosto do modo como as pessoas estão a reagir e divirto-me imenso a fazê-lo.

– Este é um espectáculo com cerca de cem espectadores. Mais próximo e onde depois mantém uma conversa com eles. O que mais o cativa nessa parte?
– É a oportunidade que tenho de explicar a motivação do que me levou a fazer as coisas desta maneira ou daquela. O porquê de ter escolhido esta vida. E fico a saber também o que as pessoas acham do meu trabalho. Gosto muito dessa componente.

– O “Palhaço Escultor” (ver caixa abaixo) virá algum dia ao Porto?
– Eu gostava! Mas as pessoas vão por modas. Agora a moda é a “stand-up comedy”. Até podem achar interessante essa faceta, mas não apostam nesse campo. Mas está a mudar… Podia haver mais mais apoios das câmaras municipais. Estive no Festival “Imaginarius” em Santa Maria da Feira com o “Palhaço Escultor” e correu muito bem. Mas aqui em Portugal não há um roteiro desses festivais…

Pedro Tochas e o percurso que o fez chegar aos palcos
Pedro Tochas é Pedro Nuno Simões Lopes dos Santos. Tem 32 anos. Tochas foi o nome conseguido quando participava na Orxestra Pictagórica de Coimbra.

O seu sonho (nunca o esqueceu) é tornar-se um verdadeiro palhaço. Andar de mochila às costas, viajando pelo mundo inteiro a fazer teatro de rua (e conseguir viver disso) continua a ser o motor da vida.

Em Portugal tem a imagem mormente ligada a anúncios a uma marca de refrigerantes conhecida (Figo!). Mas para além disso Tochas é um verdadeiro “stand-up comediant”, um malabarista em progresso e um rei no improviso. Em palco ficam também as vertentes de teatro de rua e teatro físico.

Em Portugal não se conhece muito o trabalho de “Palhaço Escultor” (ver entrevista), mas é das actividades que Pedro Tochas mais gozo tira.

Com este projecto de teatro de rua – em que a personagem é um palhaço, que comunica somente com mímica, e consegue interagir com o público – ganhou o prémio “The Biggest Fool 2003”, na categoria de espectáculo de rua no “Streets of Fool”, integrado no Festival de Teatro de Porsgrunn, na Noruega.

Estudou malabarismo e comédia física nos Estados Unidos, no Celebration Barn Theater. Foi depois para Inglaterra, onde frequentou a Circomedia-Academy of Circus Arts and Physical Theatre. Regressou a terras inglesas, ajudado com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.

Teve formação em Teatro Físico, Teatro de Rua, Comédia Física, Palhaço Teatral, Malabarismo, Novo Circo, Manipulação de objectos, Mímica, Esculturas com balões, Dança Burlesca, Devising Theatre, Performance, Movimento, Trapézio.