Publicado no suplemento
indígena
do jornal
O INDEPENDENTE de 4 de Julho de 2003
Reproduzido com a devida
autorização
selecçãodeesperanças
pedro
tochas
Ri-te, ri-te...
de
quem se trata?
Pedro Tochas
o que anda a fazer?
Ganhou o prémio "The biggest fool" num festival de teatro na
Noruega
Texto: Ricardo Santos
rsantos@oindependente.pt
Se Pedro Tochas faz parte da Selecção de Esperanças é apenas porque o
treinador da selecção A do "show business" deve andar distraído. Tal como
no futebol, também no mundo do espectáculo existem injustiças. Muitas
vezes por culpa do público, muitas outras devido à falta de oportunidades.
Depois do sucesso do seu espectáculo de "stand up comedy" um pouco por
todo o país, o actor foi agora distinguido no Festival Internacional de
Teatro de Porsgrunn, na Noruega, com o prémio "The biggest fool". Uma
honra para todos nós, como é óbvio. Afinal, não é todos os dias que um
português que nos faz rir é premiado no estrangeiro - os políticos não
contam, claro.
O festival norueguês é uma das maiores manifestações culturais da Europa
dedicada à representação. Esta foi a nona edição e mais uma vez um sucesso
- 28 mil espectadores. Na sua vertente da comédia, destaque para "The
Street of Fools", o espaço onde os artistas de rua mostram aquilo que
valem. E foi neste campo que Pedro Tochas se distinguiu dos restantes com
o trabalho "O Palhaço Escultor". Trata-se de uma representação de cerca de
45 minutos em que o palhaço se transforma em "entertainer" e interage com
o público. E nesta matéria, Tochas é perito. Tem formação, entre outras
coisas, no teatro de rua, mas também em comédia física, malabarismo,
manipulação de objectos, escultura de balões, trapézio e mímica. Diz quem
sabe ou lá esteve que ele conseguiu derreter o gelo e fez rir os
escandinavos. Só por isso já merece o prémio.
Foi na rua que este verdadeiro artista começou a sua actividade. Daí até
aos palcos foi um pequeno passo, mas Pedro Tochas achou melhor aprofundar
os seus conhecimentos. Vai daí, arrancou para os Estados Unidos à procura
do sonho português. Estudou no Celebration Barn Theatre e a paragem
seguinte foi uma escala em Inglaterra. No país onde parece estar sempre a
chover, inscreveu-se na Circomedia - Academy of Circus Arts and Physical
Theatre. Mas aquilo correu tão bem que, no final do curso foi convidado a
voltar para um ano de especialização. Para não ter de passar os dias e as
noites a comer hamburgueres e "fish and chips", voltou com uma bolsa da
Fundação Calouste Gulbenkian. Afinal, o custo de vida em Inglaterra é
muito maior que o nosso. Ok, eles também ganham mais, mas essa é uma
discussão que não nos levaria a lado nenhum.
Quando voltou a Portugal, sem recuperar do fuso horário - não existe
diferença - continuou o seu trabalho de rua e idealizou espectáculos por
todo o país e também fora dele. Mas a "stand up comedy" falou mais alto.
Entrou em "O Programa da Maria", a aventura de Maria Rueff a solo na
televisão que a SIC conseguiu estragar com um horário impróprio para
consumo, e começou a ganhar notoriedade. Para quem perdeu essa fase da sua
carreira, a SIC Radical está a dar mais uma oportunidade de ver em acção
este estudante de Gestão na Universidade de Coimbra.
Esta semana, Pedro Tochas regressou da Irlanda, onde esteve em trabalho e
já deve ter arregaçado as mangas para o seu mais recente projecto, a
colaboração com a ComedíIn - Instituto de Comédia, onde tem dado formação
artística na área do humor, inédita em Portugal.
Entretanto, a sua imagem está a ser utilizada na campanha publicitária de
uma marca de água com gás (pronto, é a Frize). Mas onde dá cartas é mesmo
sozinho em palco com uma audiência preparada para tudo. Até há quem lhe
chame o Seinfeld português.
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