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Pedro Tochas "Stand-up" Quê? Sexta-feira,
11 de Janeiro de 2002
E perguntam vocês: o que é "stand-up
comedy"? À letra, é "comédia em pé". Ao vivo, é
chorar de tanto rir. A prova é o regresso de Pedro Tochas ao Teatro
da Trindade. A pedido do público.
Pedro Nuno Simões Lopes dos Santos, 29 anos. Malabarista, actor,
comediante, palhaço, mimo, escultor de balões e muito mais. Eis a
ficha abreviada do pioneiro da "stand-up comedy" em Portugal. É mais
conhecido por Tochas, nome que herdou dos tempos da Orxestra
Pitagórica de Coimbra (uma espécie de tuna com instrumentos pouco
convencionais, como sinais de trânsito e loiça sanitária).
Tochas: um nome mais do que apropriado quando
vemos o modo como dá lume a qualquer sorriso, assim que começa a
contar as suas histórias. Histórias que não são anedotas.
Curiosamente, Pedro Tochas diz que nem sequer sabe contar anedotas e
que, nos tempos de estudante, nem lhe achavam grande graça.
"Stand-up comedy" é outra coisa. Define o que faz
simplesmente como um espectáculo de "uma pessoa a falar com a
intenção específica de fazer rir". Alguém que se apresenta
sozinho em palco para, num constante diálogo com o público, o
levar ao riso e, quantas vezes, às lágrimas, de tanto
"gargalhar".
Quem não conhece o género, pode ter uma ideia se espreitar um
episódio de "Seinfeld" ou o filme "Man On The Moon", onde Jim Carrey
dá corpo ao comediante Andy Kaufman. A verdade é que a tradição vem
dos países anglo-saxónicos, em especial dos Estados Unidos e
Inglaterra. Foi por aí que Pedro Tochas teve contacto com o género.
Ao mesmo tempo que frequentava "workshops" e cursos de teatro físico
e afins, frequentava também os clubes de comédia, desconhecidos
entre nós. O fascínio foi imediato. "Comecei a ver aquilo e achei
fabuloso. Ia ver, começava a entrar no esquema, começava a escrever
umas coisinhas..." Dessas coisinhas nasceram ideias, das ideias
nasceram espectáculos e dos espectáculos nasceu o sucesso. Um êxito
ainda discreto - uma vez que é o primeiro português a assumir-se
como "stand-up comediant" em Portugal - mas que promete conquistar
até o mais sisudo dos espectadores.
A partir daí, tudo é possível. E, se há sempre uma espinha dorsal
para o espectáculo, a verdade é que ele vive muito do improviso e,
sobretudo, da interacção com o público, o que faz de cada noite um
espectáculo único. "Quando eu tenho um público que entra mesmo no
meu mundo, somos capazes de passar ali duas horas e meia a rir.
Quando no fim olhamos para o relógio, ninguém acredita que já tenha
passado tanto tempo. Foi assim o último espectáculo da temporada.
Foi lindo". E espantoso, acrescentamos nós, se pensarmos que o
"repertório" está feito para pouco mais de uma hora de
espectáculo...
A primeira vez que fez "stand-up comedy" em Portugal foi em
Coimbra. O resultado era imprevisível, mas arriscou. E petiscou
mesmo. O espectáculo esgotou imediatamente. Quando veio para o
Teatro da Trindade, o sucesso repetiu-se à escala. "Era para ficar
quatro semanas, mas fiquei seis. Um sucesso. Voltei em Novembro e,
por altura do quarto espectáculo, já estava tudo esgotado até ao
fim. E o que eu faço é mesmo stand-up comedy. Puro e duro".
Entretanto, Pedro Tochas disse ao Y que tem na manga um projecto
para televisão. Aguardemos.
Coragem, bom material e confiança naquilo que escreve. São estes
os ingredientes apontados por Pedro Tochas como a base da "stand-up
comedy". Porque há que enfrentar sozinho o desafio de fazer rir uma
sala inteira. E lá dizem os entendidos que é mais fácil fazer chorar
do que fazer rir. Mas aqui nem sequer há uma personagem a proteger o
actor. Pedro Tochas confirma que a exposição é grande, mas lembra
que, de certo modo, já está habituado, porque começou no teatro de
rua, que ainda hoje continua a fazer. "E na rua estou muito mais
exposto, aparece-me de tudo", diz. O que pode parecer assustador é
estar lá sem um guião. "Isso assusta muitas pessoas, porque nós não
temos muito a tradição do improviso. E, ainda por cima, não é um
improviso entre actores, é improviso com o público". Assustador,
para o Tochas, só mesmo o risco de fazer este tipo de humor em
Portugal.
Mas, a julgar pela boa disposição do artista e pela amostra do
humor (ver comentários em www.pedrotochas.com), o susto é
passageiro. É mesmo um espectáculo a não perder, para quem acha que
o tempo a rir é tempo passado com os deuses. Ou para quem gosta de
dar umas boas gargalhadas e desmentir o cinzentismo dos portugueses.
Texto de
Silvia Pereira
Fotos de Susana Paiva
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Stand-up Comedy - versão 1.1 Com Pedro
Tochas Teatro Bar do Teatro da Trindade, de 10 de
Janeiro a 9 de
Fevereiro
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